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O dia que eu me abri pra receber

Sabe aquelas cenas de filme quando uma pessoa fica dias sem comer, encontra um banquete, e corre lá com toda voracidade para devorar aquela comida? Foi eu ontem :D Mas não necessariamente com comida. 


Ontem foi o encontro de mulheres Mother Earth Connection. Elas estavam comemorando 2 anos do grupo, e eu ali pela “primeira vez” comemorando algo dentro de mim que eu ainda não sabia o que era. 


Meu coração foi inundado de uma alegria e agitação, quando sentamos ali em roda. Uma frase ecoou muito forte em todo o meu corpo: “encontrei minha tribo”. Para abrir o evento, cada uma de nós falamos uma palavra que representa o que estávamos sentindo naquele momento. Minha palavra foi PARTE. Já ali nos primeiros minutos eu me senti PARTE. Me senti parte de um TODO. E eu sei que até parece hipocrisia eu dizer isso tão cedo, afinal elas estão ali já há 2 anos e eu com 10 minutos dentro do ônibus achando que tô sentando na janela :D. Mas meu sentimento era quase de que aquela não era minha primeira vez ali, e eu que demorei um tikim mais pra encontrar o caminho de volta. 



Entre danças, yoga, cacau, conversas, sons, abraços e lágrimas, muitas lágrimas, eu fui sedenta beber daquela fonte de energia divina feminina, de acolhimento e de amor. Eu não consegui gritar quando era pra gritar. A voz não saia. Mas meu grito veio de um lugar muito muito muito profundo, muito interno, e precisou vir em forma de lágrimas. Muitas lágrimas. 


Era uma manhã fria e eu estava usando umas quatro camadas de roupas. Assim que começamos a dançar, o corpo começou a esquentar, o coração começou a esquentar e me vi segura para me desfazer de cada camada extra. No meu tempo, sem que ninguém me dissesse que eu precisava fazer, fui dançando e me desapegando dessas camadas extras, como se estivesse me despindo de camadas e camadas de proteção que eu criei para que as pessoas não vissem minhas gordurinhas, não vissem minhas imperfeições. Tirei minha meia, o cachecol, meu casaco, o moleton, e no final, estava ali só com minha calça e top, vulnerável, e segura ao mesmo tempo. Dualidade né?


As lágrimas começaram ali, bem no inicinho da dança. Eu nunca fui uma mulher de mostrar minhas fragilidades. Eu precisei sim ser forte durante praticamente toda a minha vida. E precisei ser auto-suficiente. E principalmente agora como terapeuta profissional full time, eu tenho a impressão (ou seria ilusão) de que eu preciso ser perfeita para cuidar das pessoas. Preciso sempre estar ali forte, maquiada, e com uma postura profissional não só para fazer meus videos no instagram mas e em todas as situações da minha vida. Momento Elza “don’t let them see, don’t let them know”. 


Mas ontem… ontem ninguém me conhecia como terapeuta, ou como qualquer outra coisa. E sim, existe muita completude e amor no que eu faço, existe muito preenchimento e sei que posso contribuir muito com a cura e para elevar a energia das pessoas à minha volta. Mas ali eu pude tirar minha armadura e ser apenas eu. Ali eu pude mostrar que por trás da máscara de inteligente, de auto-suficiente, de forte e boazinha, existe um ser humano, uma mulher com dores, que se sente mal interpretada pelo mundo, que se sente enjaulada e ferida. Que se sente muito sozinha. (Ou sentia :))


E é claro que existe sentimentos maravilhosos e grandiosos dentro de mim, mas ali… eu não precisei explicar. Eu não precisei dizer “olha, eu ajudo pessoas a se curarem, mas eu também tenho dores”. Porque até assumir isso pra mim mesma já é difícil. Imagina então dizer, né? Mas ali não. Ali eu pude ser vulnerável. Ali eu pude apenas SER.  


Ali eu não precisei ser forte e colocar minha armadura. Eu pude ser quem eu sou, com todo o meu encantamento por estar ali parte desta roda e também com todos os meus defeitos e fragilidade. Eu pude estar ali com toda a minha dualidade. E a minha inteireza. 


E com todo esse movimento eu encontrei acolhimento, eu encontrei abraços, eu encontrei outras lágrimas, eu encontrei outras mãos. Mas não mãos de “estou aqui pra te colocar lá em cima”, mas mãos de “você não está sozinha”. E sabe porque isso é bonito? Porque gera uma força muito genuína dentro da gente, uma força muito feminina e muito poderosa. É um relembrar que a força e o poder está dentro de nós, e nós somos capazes de mover montanhas. Mas que de vez enquanto é ok parar e descansar. E que “sozinha podemos até ir mais rápido, mas juntas, vamos muito mais longe”. E eu ouvi TODAS essas vozes de suporte e empoderamento. 


A Tati teve essa visão de todas nós ao redor da fogueira, umas dançando, outras cozinhando, outras cuidando e tão interessante que desde o inicinho essa palavra “tribo” estava ecoando no meu coração. Mas naquele momento as palavras não vinham mais, não consegui contribuir. 


Aliás, ontem eu sinto que não consegui contribuir muito. Quando soube do evento, já mandei mensagem pra Mafê dizendo que queria contribuir com um voucher, e no fundo no fundo eu teria oferecido muito mais se não fosse school holidays :D E ontem eu quis tanto contribuir com palavras bonitas, com um abraço acolhedor, sei lá. No final até me senti mal, poxa, afinal de contas como curadora, eu poderia estar fazendo mais. 


Mas então algo sussurrou no meu ouvido hoje, que tem dias que eu posso só receber. Que eu posso ser acolhida. Que eu posso ser nutrida. E que eu posso parar e ser apenas mulher, humana. E tá tudo bem. Sabe porque? Porque eu faço parte de um todo. E se algumas perninhas da roda estão meio “bambas” tá tudo bem, porque eu não estou sozinha e eu não tenho que ser forte o tempo todo. Que vai ter hora que eu vou sim ser o elo forte, e horas que eu serei o elo fraco. E talvez o mesmo aconteça com todas nós. E tá tudo bem, porque o que faz a corrente são todos os elos juntos. 


E pra fechar o evento, em roda novamente, tínhamos que resumir como estávamos nos sentindo. A palavra que veio na minha mente foi CATARSE. Quanta limpeza aconteceu ali!


Ainda estou processando tudo que senti, até agora, mas fiquei feliz que consegui resumir em uma palavra o que aquele circulo representou pra mim: me senti transformada!


E aí voltando à cena de filme da pessoa esfomeada, hoje eu reconheço o quando eu estava precisando dessa nutrição. O tanto que eu estava precisando dessa energia! E tinha tanta fartura ali. Fartura de energia, de amor, de companheirismo, de troca. Assim como a mãe Terra, como o próprio nome diz. E eu me esbaldei. Tanto que no final não tinha nem palavras. Precisei e ainda preciso de tempo para processar o quanto foi maravilhoso. 


E talvez agora eu comece a entender o que eu estava sentindo ontem: é como se o Patinho Feio tivesse encontrado o Lago dos Cisnes :) Uau, e que Cisnes! E o que eu estava celebrando naquele momento: era o reencontro.

 
 
 

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